Crescer 13 % comprando praticamente o mesmo: o impacto do Kanban num hospital privado

Um hospital privado implementou com a Synexia a reposição Kanban nos stocks dos seus serviços. Oito meses depois, cada euro de compra gera mais 12 % de faturação, o investimento foi recuperado em menos de sete meses e a enfermagem deixou de gastar tempo a fazer encomendas.

OrganizaçãoHospital privado
ÁreaStocks dos serviços de internamento e do bloco operatório
SoluçãoConsultoria + Catalog, Designer e Kanban RFID
Período medido8 meses face ao ano anterior
+13 %atividade (faturação)
+1 %compras
−2,3 pppeso das compras na faturação
1,9 €de retorno anual por cada euro investido

Acumulado de oito meses face ao mesmo período do ano anterior.

O desafio

Absorver o crescimento sem que a despesa crescesse ao mesmo ritmo

O hospital enfrentava um ano de forte crescimento assistencial. No modelo tradicional, mais atividade significa, quase automaticamente, mais compras: o material dos serviços e do bloco é reposto a pedido, as encomendas são feitas pela própria enfermagem e as faltas resolvem-se com idas ao armazém central ou com encomendas urgentes.

O objetivo da área de Compras era separar as duas curvas: absorver o crescimento da atividade sem que a despesa em material crescesse ao mesmo ritmo e libertar os profissionais de saúde de tarefas logísticas.

A solução

Kanban e uma revisão da gestão do armazém

  • Depuração do catálogo de produtos de cada stock de serviço, alinhado com o ficheiro mestre de compras.
  • Redefinição dos espaços e dos stocks máximos e mínimos, ajustados ao consumo real de cada unidade.
  • Reorganização das tarefas do armazém central, que passa a repor de forma programada em vez de atender pedidos avulsos.
  • Reposição Kanban com RFID nos serviços e no bloco: o material é reposto automaticamente ao atingir o ponto de encomenda, sem intervenção da enfermagem.

O sistema foi ativado no início do ano e, em poucos meses, foi adotado por 85 % dos stocks dos serviços.

Como trabalhou a Synexia

Da consultoria à operação digital, com indicadores em cada fase

A Synexia acompanhou o hospital antes, durante e depois da implementação e trouxe três soluções da sua plataforma para levar o novo modelo à rotina diária do serviço.

Antes

Consultoria e situação de partida

Análise dos stocks dos serviços, dos circuitos de encomenda e dos dados de consumo, com indicadores acordados com o hospital antes de começar.

Durante

Implementação com a plataforma Synexia

Catálogo, espaços, fluxos e reposição redesenhados com Catalog, Designer e Kanban RFID, serviço a serviço.

Depois

Acompanhamento de indicadores

Medição contínua face ao ano anterior durante e depois da implementação, que é a base dos resultados deste caso.

Catalog · Product Intelligence

Catálogos alinhados

Um único ficheiro mestre de produtos, depurado e coerente entre compras e cada stock de serviço, com referências e classificações homogéneas.

Designer · Workflow Intelligence

Espaços e fluxos definidos

Desenho da localização do material, dos níveis de stock e dos fluxos de reposição de cada unidade, acordados com as equipas antes de chegar aos serviços.

Kanban RFID · Flow Management

Metodologia Kanban e serviço digital

Reposição por consumo com identificação RFID: o sinal de encomenda é registado sem papel nem intervenção da enfermagem e o serviço passa a trabalhar de forma digital.

Resultados

Mais atividade com quase a mesma despesa

A forma correta de medir a poupança num hospital que cresce não é comparar as compras de um ano com as do anterior, mas comparar o que se comprou com o que se teria comprado mantendo a eficiência do ano anterior.

Variação da atividade e das comprasA atividade cresceu 13,2 %. As compras cresceram 1,0 %, face aos 13,2 % que essa atividade teria exigido com a eficiência do ano anterior.0+7 %+14 %+13,2 %Atividade (faturação)+1,0 %Esperado com a eficiência anterior: +13,2 %≈ −11 %face ao esperadoCompras
Variação acumulada de oito meses face ao mesmo período do ano anterior. O contorno tracejado mostra as compras que a atividade real teria exigido com o rácio compras/faturação do ano anterior.

Os primeiros cinco meses

Com o sistema acabado de ativar, a atividade cresceu 15 % enquanto as compras diminuíram 1,5 % em termos nominais. O peso das compras na faturação desceu 3,1 pontos e as compras ficaram 14 % abaixo do que esse nível de atividade teria exigido com o rácio do ano anterior.

Oito meses depois: o efeito consolida-se

IndicadorAno anteriorAno KanbanVariação
Crescimento da faturação——+13,2 %
Crescimento das compras——+1,0 %
Compras sobre faturação21,4 %19,1 %−2,3 pp
€ faturados por € comprado4,7 €5,2 €+12 %
Compras face ao esperado pela atividade——≈ −11 %
Onde está a melhoria

85 % vem do material clínico, onde atua o Kanban

+14,6 %

Material clínico

Cada euro comprado gera mais 14,6 % de faturação (de 6,4 € para 7,4 €). As compras desceram 1,2 % com mais 13 % de atividade.

+6,2 %

Produtos farmacêuticos

O rendimento melhora 6,2 %. A compra cresce 6,6 %, mas claramente abaixo do ritmo da atividade.

Retorno do investimento

Investimento recuperado em 6–7 meses

Da melhoria obtida em material clínico, 60 % é atribuída diretamente ao Kanban e os restantes 40 % às outras medidas de gestão do armazém. Mesmo isolando apenas a parte do Kanban, os números são claros.

Indicador de retornoResultado
Custo do projeto (uma única vez)0,7 cêntimos por € faturado
Equivalente sobre a compra anual de material≈ 5 %
Poupança do Kanban em material1,2 cêntimos por € faturado
Prazo de recuperação do investimento6–7 meses
Retorno nos primeiros oito meses1,23 € por € investido
Retorno anual estimado (material + tempo)1,9 € por € investido
Para além da poupança

Tempo para o doente e material disponível

O tempo que a enfermagem dedicava a preparar encomendas equivale, no mínimo, a um enfermeiro a tempo inteiro, que agora se pode dedicar ao doente. Este tempo representa cerca de 7 % do retorno anual do projeto.

Além disso, o funcionamento do sistema traz benefícios operacionais que o hospital está a quantificar:

  • Sem ruturas de stock: o material está disponível quando é preciso.
  • Sem idas ao armazém central nem urgências de última hora.
  • Sem paragens nos serviços por falta de material.
  • Blocos à hora: menos atrasos por material em falta.
Chaves do sucesso

O que fez a diferença

01

Medir bem

Ajustar a poupança à atividade: num hospital que cresce, comparar compras nominais esconde a melhoria real.

02

Organizar antes de automatizar

Um catálogo depurado e stocks máximos e mínimos realistas são a base sobre a qual funciona o Kanban.

03

Separar os efeitos

Atribuir de forma conservadora a parte da poupança que corresponde ao Kanban dá credibilidade ao retorno.

04

Olhar para além da poupança

O tempo clínico libertado e a segurança na disponibilidade de material fazem parte do valor.

Próximos passos
  • Medir o stock libertado nos stocks dos serviços.
  • Validar o caráter recorrente da poupança com um exercício completo de dados.
  • Alargar o modelo a outras unidades.

Publicado com autorização escrita da instituição.

Vamos transformar juntos a gestão operacional em saúde.